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Page history last edited by Rosângela Antunes Carniel 2 years, 6 months ago

 

 

                                               DOSSIÊ    DE    INCLUSÃO

 

 

 

Atividade 1

                            

 Relate sua experiência com educação especial e/ou com inclusão.

 

 

Caso 1

Inicialmente, relatarei sobre um aluno que veio da Classe Especial para minha turma de 2ª série de 9 anos. Devido a um atropelamento, seqüelas deixaram-no com 2 anos de atraso na idade mental, em relação a sua idade cronológica. Acontece que após observá-lo e trabalhar com ele por 15 dias, percebi que ele vencia todas as atividades que lhe eram propostas, e num ritmo bem mais acelerado que os demais colegas. Precisei adaptar-me e levar atividades extras e mais complexas. Conversei, então com a diretora que me sugeriu aplicar um teste e ver a possibilidade de encaminhá-lo para a série subseqüente. Elaborei-o, porém, ficou num grau de dificuldade muito alto. Então, a diretora achou por bem, aplicarmos a Provinha Brasil. Assim foi feito e ele apenas vacilou um pouco em algumas questões de interpretação, mas no geral foi muito bem. Assim, após aval da CRE, o menino foi promovido para a 3ª série, onde tenho acompanhado seu desenvolvimento e com muita alegria, percebido que ele acompanha o desenvolvimento de todas as atividades.

 

 

 

 

Caso 2:

Minha turma do turno da tarde, tem 9 alunos de 9 à 11 anos, com necessidades educacionais especiais. Destes, apenas uma menina está alfabetizada. Os demais escrevem, mas não sabem o que escreveram. É bem complicado para quem não tem experiência, trabalhar com este grupo. Estou um pouco assustada e me sinto impotente em certos momentos porque a resposta é bem diferente. Precisam de estímulos constantes e estes vêm de jogos, histórias, brincadeiras, entre outros. Acontece, também, que num momento demonstram ter entendido o conteúdo. No momento seguinte, parece que nunca trabalharam sobre ele. Então, novas estratégias precisam ser providenciadas para que as aprendizagens se concretizem. O fato de a turma ser multiseriada, também exige bem mais do professor. É necessário oferecer atividades bem diversificadas.

Ainda estou em adaptação e meu maior desafio, na verdade, é entender o que um aluno fanho e gago, diz, principalmente porque ele fica muito bravo quando não é entendido. Faço com ele alguns exercícios de fala que penso ajudar.  Creio que estamos progredindo. Sei que o mais importante é acreditar que todos que ali estão tem capacidade de aprender.

 

Unidade II

Para seu Dossiê de Inclusão

 

A proposta de atividade desta unidade é uma continuação daquela iniciada na unidade sobre a história.  Busquem informações sobre suas escolas e redes de ensino onde trabalham, indicando se identificam a presença de alunos com deficiência ou necessidades educativas especiais nessas instituições. Elaborem um texto no qual vocês apresentarão os dados de uma escola específica, indicando total de alunos e docentes, etapas de escolarização, alunos da educação especial presentes (quais? quantos? com que tipo de atendimento?). Elabore um comentário que integre a realidade descrita e os pontos centrais que identifica nos textos lidos.

 

A escola onde trabalho pertence à Rede Estadual de ensino.

Situa-se em um bairro de periferia, próximo ao Rio dos Sinos.

Há dois anos, extinguiu a pré-escola, atendendo, agora, alunos de 1ª à 8ª série. Há dois anos segue a lei de ensino fundamental de 09 anos. A escola conta com 597 alunos, 24 professores, 01 diretora, 2 vices, 01 estagiária, 02 cozinheiras, 01 servente, 01 secretária, 02 bibliotecárias.

01 1ª série de 09 anos

02 2ªs séries de 09 anos

01 3ª série de 09 anos

01 3ª série de 08 anos

02 4ªs séries de 08 anos

03 5ªs séries

03 6ªs séries

03 7ªs séries

02 8ªs séries

01 classe de Educação Especial com 09 alunos cuja professora, atualmente em Licença Maternidade estará se formando em psicopedagogia no próximo ano. Estou respondendo por esta turma até seu retorno.  Os alunos vêm, maioria, de escolas do município, encaminhados por psicólogos ou psiquiatras.

O município tem um setor chamado Saúde Mental onde profissionais especializados atendem as crianças, fornecem laudo, porém, os alunos da rede Estadual, não são atendidos, inclusive, um dos meninos vem de um bairro muito distante e a mãe foi até a prefeitura pedir transporte porque não tem condições financeiras de arcar com esta despesa e não lhe concederam. Ela então se dirigiu ao Ministério Público para ter seu direito respeitado e no momento está aguardando resposta. Enquanto isto, ela o trás de bicicleta e volta para o trabalho e sempre que há suspeita de chuva, ele não comparece à aula. Ele fica triste quando não vem e verbaliza isto. Está bem motivado porque começou a formar palavras com auxílio e, logo, se ressente quando não pode vir. Omite ou troca fonemas.

Outro menino é completamente gago e seu pai não pode pagar fonoaudióloga porque já paga psicóloga para ajudá-lo a controlar a agressividade porque fica muito bravo quando não é compreendido, fato corriqueiro uma vez que é bem severa sua gagueira. Pedi à direção para tentar a fono da APAE e a tentativa será feita, mas não sabemos se conseguiremos.

Uma menina está alfabetizada, tem dificuldades motoras que afeta o lado direito, membros superiores e inferiores, em decorrência de lesão cerebral, apresenta ritmo mais lento, mas realiza todas as atividades. É atendida todas as segundas feiras na ACD em Porto Alegre, onde faz fisioterapia e acompanhamento do aparelho que usa para manter sua mão aberta. Ganha transporte porque era de escola municipal. Penso que esta menina está apta e renderia mais se estivesse incluída em uma turma “normal”.

Dois alunos estão no nível silábico, não lêem ainda. Um menino não distingue, ainda, letras de números. Não reconhece nem nomeia, portanto, as letras do alfabeto. Sua irmã identifica e nomeia as letras, formando algumas palavras e lendo-as. Estes dois também vieram por encaminhamento do município e são atendidos por psicóloga da Saúde Mental.

Uma menina que em certos dias reconhece e fala sobre letras e conteúdos corretamente, e em outros dias confunde tudo. 

Um menino é acompanhado por um neuropediatra. Seu tratamento é particular. Este introjetou que tem “problema na cabeça” e diz que não adianta eu querer ajudá-lo porque ele não aprende. Penso que o primeiro passo é desconstruir sua suposição. De fato ele tem dificuldade, mas precisa, assim como o professor, acreditar que tem capacidade de aprender.

Na escola como um todo, as demais turmas recebem os alunos que ao se alfabetizarem deixam a sala de educação Especial. Eles, ao chegarem, não recebem tratamento especial, recebem as mesmas atividades dos demais e devem realizá-las no mesmo período de tempo. Seu ritmo próprio não é considerado.

No início do ano, recebi um destes alunos. Seu caso era de atraso mental. Já no período em que verificava seus conhecimentos e fazia a adaptação, percebi que ele ia além do que eu propunha, então, trouxe atividades mais complexas e ele superando uma a uma.

Observei e trabalhei por vários dias, até que então, comuniquei à direção o meu pensamento: este menino tinha condições de ser promovido para a terceira série. Como estou bem insegura com esta experiência, pedi socorro a colegas da série que deveria acolhê-lo no caso de promoção, consultamos a professora titular que está em LM, aplicamos, por sugestão da direção, um teste nos moldes da Provinha Brasil e ele se saiu muito bem. Com autorização da Coordenadoria, foi efetuada a promoção. Acompanho, desde então, a caminhada do aluno na série através de conversas com ele próprio, de observação de seu caderno (apesar de reparar resistência por parte da professora) e com a professora e felizmente ele está acompanhando os conteúdos e bem adaptado à turma.

Na quinta série, há um menino de 17 anos com deficiência visual bem grande e retardo mental leve, mas não recebe nenhum atendimento especial. Apenas o cuidado de mantê-lo na primeira carteira da fila. Este não se entrosa com os demais alunos, está sempre isolado no recreio e na educação física que não realiza. Nenhum trabalho é feito no sentido de integrá-lo nem mesmo com os outros alunos no sentido de sensibilizá-los para que dispensem um acolhimento carinhoso e respeitoso a este colega.

Para instrumentalizar os professores a escola trouxe no ano passado, uma apostila com as denominações das deficiências, sintomas, sugestões de como lidar com alunos portadores de necessidades educacionais especiais. Mas tudo muito superficial. É um assunto de extrema relevância e deveria ser tratado por profissionais da área que falassem com conhecimento de causa. Acho muito perigoso, pretensioso e de muita responsabilidade o professor fazer diagnóstico de alunos e muito mais de definir quem são os alunos PNEEs.

Da Coordenadoria, nenhuma acessoria é dada ao professor. Então, tudo fica mais difícil, pois nem mesmo equipe pedagógica a escola dispõe.

O município de Campo Bom atende 217 alunos de inclusão conforme o Senso Escolar.

A educação inclusiva defende como princípio a inclusão de todos os alunos no ensino regular e a criação de mecanismos na escola que garantam o respeito às necessidades diversas de seus alunos.

Existe ainda, no município, a Classe Especial de Surdos, que atende 08 alunos de 1ª a 5ª série, na Escola Municipal Marquês do Herval porque os professores das turmas regulares não têm conhecimento específico necessário para atender estes alunos.

Analisando a realidade da escola, as discussões em aulas presenciais, as conversas entre professores nas escolas e as leituras realizadas, percebo que nem mesmo o conceito de Inclusão está claro, e que isto acaba por prejudicar a todos os envolvidos neste processo porque é impossível construir intervenções adequadas quando não se tem conhecimento do assunto. Este fato pode, a meu ver, ser confirmado através do texto: A Inclusão e Seus Sentidos: Entre Edifícios e Tendas de Claudio Roberto Baptista: “Quando consideramos o atual estágio de conhecimento em educação especial, percebemos que a mesma tem sido uma área na qual a discussão relativa à ética e ao diálogo pode ressignificar o conhecimento sobre os sujeitos com necessidades educativas especiais, assim como redimensionar as perspectivas de intervenção educacional”.  

Desta forma, creio que agora estamos dando um grande passo nesta caminhada porque estamos discutindo nossas reais ansiedades, medos e frustrações frente ao assunto, mas, sobretudo porque estamos adquirindo conhecimentos que subsidiarão nossa prática.

Entendi também que não podemos cruzar os braços e esperar que as Leis sejam cumpridas, mas sim, fazer o que nos compete e buscar estratégias que atendam ao máximo os PNEEs que estejam em nossas turmas e até mesmo, orientar os pais a buscarem junto aos órgãos competentes, os direitos reservados a seus filhos.

A Resolução CNE/CEB nº 2 institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, mas o que se observa na prática é que estas não são seguidas. A vaga, sim, é garantida, mas não há preocupação em qualificar este atendimento. E são tantos os artigos e Parágrafos descumpridos, que praticamente teria que transcrever toda a Resolução aqui.

Sorte, ainda que muitos professores se sensibilizam com as dificuldades dos alunos e se empenham em tornar mais digna e menos penosa suas vidas escolar.

 

Bibliografia:

A Inclusão e Seus Sentidos: Entre Edifícios e Tendas

Claudio Roberto Baptista – PPGDU/ UFRGS

 

RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº 2, de 11 de Fevereiro de 2001.(*)

CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO

CÂMARA DE EDUCAÇÃO BÁSICA

RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº 2, de 11 de Fevereiro de 2001.(*)

 

ESTUDO DE CASO

Estudo um menino de 9 anos a quem chamarei de João. 

Ele veio transferido para minha escola, através de encaminhamento do município.

Nasceu no dia 29 de janeiro de 2001, tendo hoje, portanto, 8 anos e 3 meses. Foi reprovado na 1ª série e encaminhado para nossa escola onde frequenta a classe de Educação Especial.

Realizou exames neurológicos, audiometria, exames com geneticista, sem que fossem detectadas patologias. Apresenta déficit de atenção, motricidade e desenvolvimento psicomotor, adequados à sua idade.

Apresenta tempo de aprendizagem mais lento.

Começou a falar com 4 anos e meio.

Já na entrevista com o pai, foi-me dito que que o menino era muito carinhoso e que precisa de um jeito especial para lidar com ele, que com "jeitinho", se conseguia muito dele. Com a convivência, fui percebendo que o aluno não consegue lidar com contrariedades. Cada vez que isto acontece, e não são raras as vezes, ele inicialmente se jogava no chão, ficava rolando e não queria fazer mais nada. Fui aos poucos, criando regras com a turma, mostrando a ele que a cada ação, teria uma reação. Conversava também com seu pai, colocando o que acontecia e quais as estratégias seguidas na tentativa de ajudá-lo. Hoje ele já não se joga mais no chão, porém, ainda se recusa a fazer as atividades. Percebi que os carinhos que na maioria das vezes eram quase .agressivos na verdade eram tentativas de conseguir algo. Aos poucos fui cortando estas atitudes e mostrando que os carinhos eram bem vindos, mas que havia momentos para cada coisa e que eles precisavam ser respeitados e que chantagem não funcionava. Então, assim que comecei a ser mais firme com ele, não queria mais realizar as atividades.

Conversei com ele e disse que ficaria após o horário fazendo e que seu pai poderia ficar ao lado da sala esperando-o. Comuniquei ao pai e este não gostou da atitude mas concordou. Esperou alguns dias e depois conversou comigo que estava ruim assim porque trabalhava a noite e até que levasse o menino em casa, ficava tarde para ele. Combinamos, então, que se ele não fizesse as atividades do dia, ficaria no dia seguinte durante o recreio. A estratégia funcionou e agora ele nem mesmo se atrasa. Está mais caprichoso com os trabalhos, creio que em função de um novo arranjo entre eles. Troquei-o de grupo. Coloquei-o num em que um colega é detalhista e caprichoso com seus trabalhos. Desde então ele vem melhorando a estética de seus trabalhos, bem como a organização espacial. Ainda apresenta dificuldade em separar uma palavra da outra. É difícil de analisar sua escrita porque ele se recusa a escrever quando não é cópia. Lê palavras que envolvam as vogais: AI, UI, EIA, entre outras, porém, ainda não consegue ler outras palavras. Distingue letras de números. Não se envolve muito nas atividades. Na hora da história, não se concentra e tira a concentração dos colegas pois fica rindo ou brincando com o ziper, com o cadarço ou qualquer outra coisa.

Gosta de atividades físicas embora não respeite as regras. Joga com os colegas, perde mas não entrega as figurinhas. Tem atitudes violentas com os colegas, embora já tenha melhorado neste aspecto.

De uns quinze dias para cá, nos momentos em que está ancioso porque está perto do recreio ou da hora de ir embora e ele está com as atividades inacabadas, começou a se masturbar. Tenho ficado ao seu lado nestes momentos e tentado tranquilizá-lo e canalizar esta ansiedade para a própria atividade. Não sei outra maneira de lidar com esta situação. Sobre este assunto, pretendo levá-lo para meu grupo de estudo e pedir orientação às psicólogas.

Os pais relatam que ele progrediu muito nesta escola.

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Na semana passada, visitei a sala de aula de João e lá permaneci por duas horas. Fiquei só com os alunos.

Observei que o aluno se mantinha bem mais tranquilo. Ficou sentado o tempo todo, coisa que não acontecia enquanto eu dava aulas para eles. Também chamou-me a atenção, o fato de que não está mais se masturbando.

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Na semana seguinte, consegui conversar com sua professora e ela me relatou que teve uma conversa franca com ele sobre a masturbação. Disse que entendia que ele se sentia bem quando fazia aquilo, mas que não podia ficar fazendo em todos os lugares. Que ali ele estava para estudar, brincar com os colegas. Disse, também, que teve bastante trabalho nas questões referentes a limites. Soube que ficou vários dias sem recreio.

Percebi que está bem mais centrado.

 

João que ainda não ligava a letra ao nome do objeto, agora já começa a fazê-lo, mas mantém-se pré-silábico na escrita.

Também apresenta avanços nas questões ligadas à organização de forma geral, tanto no registro escrito, como em aspectos mais gerais.

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Em 25/06 conversei com o pai que me disse que quando o caso de João foi analisado, por não encontrarem nada que justificasse o atraso dele, um dos médicos deixou inclusive seu telefone particular para que fosse avisado sobre qualquer novo evento que acontecesse com ele. Pediu que o pai anotasse tudo que acontecesse de diferente e ligasse contar e também que registrasse todas as dúvidas que tinha sobre qualquer atitude de João.

Segundo o pai há uma extensa lista de questionamentos que levará quando for na próxima consulta.

Na escola, não progrediu muito na área de conhecimento. Penso que isto se deve muito em função da incapacidade de articular corretamente as palavras.

Conversei com o pai, também sobre este assunto e ele disse, então que está tentando conseguir a fonoaudióloga pelo Sindicato, mas que se não conseguir, vai pagar pela consulta porque entende, agora que está influenciando negativamente na sua aprendizagem.

João está mais centrado. Aumentou sua capacidade de concentração e consegue se manter atento durante a hora do conto.

Um fato novo colocado pelo pai, foi que a diretora da escola anterior de João, disse que ele tinha Síndrome de Dawn, fato que angustiou muito a família toda. O médico disse que o pai poderia processá-la ou à escola caso desejasse, mas ele optou por não fazê-lo.

 

 

                                         Deficiência Mental

 Atividade 6


                                       Comportamentos observados na escola sobre:

 

Relacionamentos: com professores/as, funcionários, colegas, outros;

O aluno mostra-se bastante desconfiado diante de pessoas estranhas. Quando elas falam com ele, se retrai, se a professora está por perto, segura na mão dela e esconde o rosto. Nunca procura outros professores ou funcionários para conversar e, quando solicitado que vá a secretaria ou a qualquer outro ambiente da escola, só o faz se for um colega junto. Evita falar, creio que em função da dificuldade de ser compreendido. No entanto, durante o recreio, integra-se agora, com alunos de outras séries. Inicialmente era muito agressivo. Chutava e batia nos outros. Hoje está bem mais tranqüilo e não se envolve mais em brigas. Com relação à professora, ele tem demonstrado mais frieza. Não é tão afetivo quanto o é comigo. Creio que ela delimita mais os papéis e os próprios  limites.

Questões de aprendizagem:

Referente à aprendizagem, o aluno evoluiu bem pouco. Está, agora, identificando a letra inicial das palavras, ligando-a com o nome de alguns objetos, desde que eles tenham sido estudados anteriormente. Penso que a dificuldade de fala está interferindo no processo de alfabetização, uma vez que sabemos da relação som/letra. Onde apresentou maior progresso foi na questão de organização. Seu caderno está mais apresentável, pela conquista de melhor adequação espacial.

 

 

Movimentos para a inclusão da escola (avaliação, acessibilidade, adaptações curriculares, serviços de apoio);

A escola conta apenas com uma rampa para cadeirante, exigida em função de um aluno que tivemos anos antes. Nenhum banheiro possui adaptação, apesar de novas construções terem sido feitas. Ninguém da escola, nem engenheiro, arquiteto, teve esta preocupação. A biblioteca situa-se no segundo piso. Há dois lances de vários degraus de escada, de modo que um portador desta necessidade só teria acesso se fosse carregado. Não há sala de recursos. Há a sala de Educação Especial, rica em jogos, livros, materiais concretos, mas somente os nove alunos com retardo mental a utilizam. Nenhuma adequação curricular foi efetuada e quando os alunos da E. Especial passam para as salas “normais”, poucos professores mostram sensibilidade e se propõem a realizar um trabalho diferenciado e adequado. Não há serviço de apoio: psicólogo, pedagoga, supervisora ou coordenadora.  A escola buscou parceria com a APAE na tentativa de conseguir atendimento fonoaudiológico para o aluno, mas em vão. Disseram que o atendimento se restringe aos alunos da rede pública municipal.  Há, na escola, uma professora que está cursando psicopedagogia, é dedicada e realiza avaliação descritiva considerando o processo, passo a passo e evidenciando o progresso do aluno. Possui caderno de registro onde coloca todos os episódios que vão acontecendo e, no final do trimestre, consulta-o e aos trabalhos para elaborar o parecer.

 Movimentos para a inclusão do aluno;  

A escola busca, se a professora solicitar, alcançar todo subsídio, porém, não há recurso tecnológico disponível. Enquanto estive com este aluno, mais para o final, quando os jogos disponíveis já estavam muito batidos, comecei a levar o notebook e oferecer jogos de completar palavras, de forca, entre outros. O interesse dele foi bem maior, porém, só havia um e os outros colegas não se concentravam. Queriam aprender assim, também. Foi onde  João começou a identificar a letra inicial de algumas palavras.

Envolvimento da família no processo de inclusão escolar.

No caso de João, a mãe nunca compareceu na escola. Não a conheci. O pai, mesmo sem ser solicitado, aparece seguidamente buscando e fornecendo informações. Buscou atendimento psicológico, porém, não tem condições financeiras para bancar uma fonoaudióloga. Tentou com APAE, sindicato, prefeitura e nada conseguiu. Inclusive, nesta semana, o pai se acidentou, fraturou os dois braços e, como trás o menino de moto, vai transferi-lo da nossa escola. Disse o tio que ele está muito triste porque estava vendo muito progresso em João desde que veio para esta sala, mas não conseguiram transporte para trazê-lo. O pai mostra-se incansável. Realiza todos os exames solicitados e se preocupa em colher dados novos para alcançar para os médicos e para a professora, bem como auxilia nas tarefas de casa.

 

 

 

UNIDADE 7

 

 

Estudo de Caso

Sua tarefa nesta unidade será dar continuidade ao registro escrito iniciado  contemplando os seguintes pontos:

  • Avaliação

a)      Que aproximações existem entre as idéias trazidas nos textos sobre avaliação e seu estudo de caso?

Pensando na avaliação realizada na minha escola referente ao João, pude constatar que em alguns aspectos, ela se assemelha àquela sugerida por Ana Carolina Christofari: “a prática avaliativa deveria ser pautada nas especificidades de cada aluno tendo-as como aspectos favorecedores da aprendizagem, e não, como limitadores”. A professora de João usa estratégias diversificadas e adequadas ao nível do aluno. Realiza atividades com gravuras, figurinhas, revistas, jornais, jogos, calendários, encartes, portadores de textos, calculadoras, Material Dourado, Tangran, entre tantos outros instrumentos. Avalia, utilizando os mesmos recursos e como se fosse uma atividade normal. Não usa a avaliação como forma de medir o conhecimento. Usa muito mais, segundo ela, para programar seu trabalho e facilitar a aprendizagem.  Sua prática avaliativa é pautada nas especificidades não só de João, mas também, de cada aluno de sua turma, de modo que, cada aluno seja parâmetro de si mesmo. Outro ponto de aproximação: “Avaliação como construção de conhecimento requer humildade do professor em repensar diariamente sua prática, de reconhecer suas dificuldades, mas, sobretudo, demanda aposta do educador nas potencialidades dos alunos e na credibilidade que ele confere à participação de cada um”. A professora tem uma postura muito otimista em relação ao potencial do aluno. É, ao mesmo tempo, consciente das dificuldades do aluno e das suas, mas mostra-se sempre motivada e não se deixa abater quando não consegue ajudar João a consolidar suas aprendizagens.

b) Quais as contradições em relação ao que foi observado?

Sobre a discussão na escola, a respeito de uma reorganização curricular, visando ir de encontro à educação inclusiva, Pistóia (2007), afirma: “Educar na diversidade pressupõe a adoção de um modelo de currículo que facilite a aprendizagem de todos os alunos e alunas na sua diversidade.” É uma contrariedade ao que pude observar em minha escola. O currículo é montado sem considerações às diferenças. Outro aspecto que difere é que a escola não é organizada por Ciclos, mas sim por trimestres e assim, a progressão não existe. Então, conforme Regimento, se o aluno não atingir os objetivos, ocorre a reprovação e permanece na mesma turma. Alguns permanecem por até cinco anos na mesma série. No texto Práticas educativas: Perspectivas que se abrem para a Educação Especial, Anna Maria Lunardi Padilha escreve: “Preocupavam-me os seus movimentos um tanto aleatórios do corpo todo. Ora levantava, ora sentava, ora ia até a porta como se quisesse sair, sem dizer nada... Eu procurava em Bianca os gestos indicativos, o gesto de apontar”... No meu estudo de caso, o menino também levantava, andava, sentava, porém, ao contrário de Bianca, ele gesticulava muito na tentativa de se fazer entender. Quando observei isto, em algumas vezes, segurei suas mãozinhas e fiquei fazendo carinho, olhando sua boca. Quando não o entendia, eu pensava um pouco antes de lhe pedir que repetisse. Parecia-me que ele se tranqüilizava desta forma. Era melhor para eu compreendê-lo. Ainda percebi outra divergência entre o que li e o que observei; No texto Diversidade e Currículo está posto: “o sucesso da aprendizagem está em explorar talentos, atualizar possibilidades e desenvolver predisposições naturais do aluno”. No caso de João, não há exploração do talento. Percebi que atividades cognitivas relativas à alfabetização são priorizadas. Atividades como artes, pintura, dramatizações, música, recreação, são contempladas muito esporadicamente.

 

 c) Como é feita a avaliação do sujeito da pesquisa durante o ano letivo (parecer descritivo, por exemplo)?

A avaliação de João é feita em forma de registros em tabelas específicas para área cognitiva de linguagem, de matemática; motora: ampla e fina; afetiva. Nesta tabela, a professora vai anotando os objetivos atingidos e os não atingidos. Depois consulta e baseada nas informações ali contidas, vai direcionando sua prática. Possui um caderninho onde escreve todos os episódios relevantes que acontecem com cada aluno. Vai, ao longo do trimestre, realizando atividades, trabalhos, aplica o método clínico, testes de nivelamento e, ao final do trimestre, monta um parecer descritivo para entregar aos pais. A professora é cautelosa com as colocações postas no boletim. Procura falar de aspectos positivos e valoriza o progresso do aluno, ainda que este seja mínimo. Faz questão de falar aos pais sobre a responsabilidade de dar continuidade ao estudo em casa, do auxílio que devem dar e igualmente de valorizar as conquistas de João.

 

d) Essa avaliação dá conta das possibilidades e competências do sujeito observado?

Em alguns aspectos, sim, porém, penso que João tenha alguma potencialidade não revelada, ainda, mas que talvez, no momento em que for estimulado, desperte. Pelo que li no boletim, a avaliação foi bem justa. Penso que eu não faria diferente. Foi descrito sobre aprendizagem e conduta.

Conclusões: faça um fechamento do estudo de caso, com uma reflexão sua sobre o mesmo. 

O estudo de caso favoreceu a minha aproximação não só com João, mas também com a direção, com quem tentava obter informações, com a professora de João, seu pai e, até mesmo com a servente e com as cozinheiras para saber como ele se comportava quando ia ao refeitório, ou outras dependências da escola. Quando chegou à escola, ele tinha o hábito de apertar o pescoço de quem o contrariava, no caso os colegas, e, felizmente agora não o faz mais. É... Analisando agora, em termos de aprendizagens ele não evoluiu muito, porém, em termos de conduta, progrediu bastante. Está mais centrado, mais maduro, parou de se masturbar, está menos ansioso. Respeita mais os colegas, está mais organizado espacialmente. Penso que deveríamos, enquanto professores realizar um estudo de caso de cada aluno, pois tantas coisas são descobertas, ajudando o professor a entender melhor a criança. A aproximação com a família, também considero um fato importante, notadamente percebido pelo aluno fazendo diferença na aprendizagem. Penso que eleva a auto-estima, pois o aluno sente-se importante porque alguém está interessado por ele.

 

 

 

BIBLIOGRAFIA:

 

·         Práticas educativas: perspectivas que se abrem para a educação especial de Padilha, 2000.

 

·         Diversidade e currículo, Pistóia (2007). diversidadeecurrículo.pdf

·         1.  Avaliação e Inclusão Escolar: Desafios, Conflitos e Possibilidades”, Christofari (2006).

Avaliação Escolar Conflitos e possibilidades.pdf  

 

 

 

Comments (8)

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 9:40 pm on Apr 8, 2009

nnn

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 9:45 pm on Apr 8, 2009

Rosangela, é normal sentir medo ao desconhecido, mas isto para um professor é ótimo, porque o motiva a procurar subisdios para ajudar efetivamente os seus alunos, espero que a disciplina possa te ajudar nesta caminhada. Podes contar com nosso apoio, nos procure sempre que achar necessário.
Abraços
Maria del Carmen

Rosângela Antunes Carniel said

at 1:17 am on Apr 12, 2009

Obrigada, Del Carmen.
Não dispenso o auxílio. Se precisar, peço mesmo.
Abraço,
Rosângela

Maria del Carmen Cabrera Martins said

at 12:03 am on Apr 21, 2009

Rosângela, primeiramente, te sugiro que sigas a ordem cronologica para postar as tuas atividades, começa com a ativiade 1 e logo abaixo a 2, assim sucessivamente, fica ,mais facil para visualizar. Na escola do menino cego, que a unica meta que tem com ele é o de mante-lo na primiera fila, não tem computador?, poderiam instalar o dosvox, é gratuito, isto vai auxilia-lo muito, é uma ferramenta fácil de usar. Tenho um tutorial.
Abraços
Maria del Carmen

liliana said

at 9:51 pm on Apr 22, 2009

Oi Rosangela
que lindo teu dossie. Uma coisa importante é fazer como a Carmen te sugiriu ...colocar embaixo as unidades na ordem correta. porque senão no final o leitor ou visitante deste espaço vai se sentir totalmente perdido. Se precisas de ajuda podes nos mandar mail.
Sobre a segunda unidade, acho que ajudaria o leitor se colocasses em qual serie se encontra cada caso de inclusão, podes organizar como uma tabela se te parece melhor...ou na forma de uma lista colocando os casos, e deixando eles organizados por serie. Alguns desses casos que relatas estão contigo?
abraços
liliana
Sobre o conteúdo
Não entendi o caso 2...é uma classe especial? poderias me explicar melhor..fiquei pensando que era uma classe especial..mas ai falas em multisseriado...
Com relação ao caso 1, parabéns por perceber que o aluno podia estar precisando de uma adaptação maior...e com isso ele foi promovido...muitas vezes a gente estigmatiza os alunos com necessidades achando que eles tem menos capacidade do que realmente tem ...professores atentos e dedicados fazem a diferença nesses casos!

Rosângela Antunes Carniel said

at 8:45 pm on Apr 23, 2009

Obrigada pelas dicas, Del Carmen e Liliana.
Providenciei a inversão da ordem das postagens. Na verdade eu tinha dúvida se deveria ir colocando no início ou no final. Deveria ter perguntado, não é? Sobre a distribuição dos alunos nas turmas, Liliana, apenas o moço de 17 anos está na 5ª série. Os demais que descrevi, (nove) estão na minha sala de Educação Especial. Fico com eles até dia 15 de maio quando, então, a professora deles retorna da LM.

Rosângela Antunes Carniel said

at 8:52 pm on Apr 23, 2009

Del Carmen,
infelizmente os alunos não têm acesso a computadores na escola. Há três anos ganhamos 10 de um banco, mas sempre tem um pretexto que impede a instalação. Então, verificarei mais detalhadamente a situação do aluno e falarei com a direção para ver se há possibilidade de disponibilizar esta ferramenta à ele. Olha só como esta troca é boa. Vocês de tão longe, auxiliando a nós e aos nossos alunos. Obrigada.
Abraço,
Rosângela

liliana said

at 11:06 pm on Jun 24, 2009

Oi Rosangela

ficou otima a organizacao...e esta tambem bem legal tua escrita...vamos agora finalizar ne? acrescenta os dados necessários para as ultimas unidades com foco preferencial na parte de aprendizagem e avaliacao
abraços
liliana

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